Busque facilitadores, não facilidades

Quem estuda de forma séria e persistente para concursos sabe que não há facilidades. Há, isso sim, facilitadores, como um bom curso, um livro voltado ao cargo desejado, técnicas de estudos e memorização e por aí vai. Os vendedores de facilidades ganham cada vez mais proeminência, alavancados pela cultura em parte, pelo advento das redes sociais e, agora, pela inteligência artificial. Toda tecnologia pode ser utilizada de forma útil ou desvirtudada. E isso se aplica a quase tudo na vida.

Já diziam os antigos, por exemplo, que a monarquia se degenera em tirania, a aristocracia em oligarquia e a república em democrocia (por todos, ver Aristóteles). E em um giro Kantiano, podemos dizer que as coisas não são boas nem más em si mesmas, devendo ser valoradas pela sua maior ou menor utilidade. Porém essa utilidade tecnológica, essa disrupção que vivenciamos, nominada por muitos de “a quarta revolução industrial”, também se desvirtua. E cabe a cada um exercer o juízo crítico, com discernimento.

Se o concurseiro busca facilidades, acreditando que há atalhos, que há formas de se atingir o objetivo sem muito esforço, logo irá se deparar com a frustração, com a desmotivação, podendo até mesmo desistir do seu projeto pessoal (será que era mesmo um projeto?). É natural do ser humano querer evitar o sofrimento e buscar o prazer ou o a forma mais fácil de resolver as coisas, porém isso não condiz com o projeto de quem almeja um cargo público ou, mesmo, ser bem sucedido na vida.

A tecnologia é uma coadjuvante, não uma protagonista. Ela não substitui o conhecimento, o esforço, o estudo, a análise crítica e não ensina persistência, resliência, paciência e temperança. Afinal, até o momento as máquinas não possuem virtudes intrínsecas (e espero que nunca venham a ter).

Faça a escolha, mas saiba o preço a ser pago por ela.